A minha experiência profissional foi redefinindo a definição e intervenção do trauma.
Inicialmente referia-me ao trauma como o impacto emocional de situações que comprometiam a vida ou morte, experiências muito fortes.
Por experiências fortes referia-me por exemplo, a uma possível violação sexual, uma tentativa de homicídio, exposição a uma guerra ou catástrofe natural, testemunho de uma morte, ou a própria morte de um familiar.
Contudo, o facto de estar tanto em contacto com vitimas de guerras ou catástrofes naturais, como pacientes que procuram apoio psicológico no consultório Lisboeta, apercebi-me de que nem sempre é necessário haver uma experiência que condicione a vida, para que se dê um trauma no processo vivêncial.
Com a especialização no EMDR e em Intervenção na crise, actualmente entendo o trauma, não só com letra maiuscula (como as situações de vida ou morte como referi anteriormente), mas também com letra minúscula, ou seja, refiro-me a vivências banais que podem “deixar marcas fortes”, e como experiências que são, são armazenadas na memória e inevitavelmente condicionam a nossa actuação presente e futura em diversas situações.
Alguns exemplos de traumas com letra minúscula, podem ser:
“Ser vitima de bulling”
“um fim de um namoro longo,
um divórcio,
uma relação familiar conflituosa e desapoiada,
uma mudança abrupta de escola, de casa ou país,
a morte de um ente querido ou até de um animal doméstico…”
Estas situações são situações que exigem uma mudança, e caso não sejam apoiadas ou bem geridas emocionalmente, podem tonar-se em “nódulos” emocionais que acabam por condicionar futuras experiências, mesmo que estas não estejam de modo nenhum interligadas com a memória primária (nome que damos à memória que provoca sofrimento).
Para F. Shampiro uma vez identificada a memória base, e limpos todos os canais sensoriais que lhe acedem, há um desbloqueio cerebral entre os hemisférios direito e esquerdo, facto que leva ao processo de cura do trauma (ou vivência).
Para Peter Levine, o trauma quando não é bem elaborado, fica memorizado ao nível físico, podendo inclusive traduzir-se em problemas de saúde. Levine acredita que a intervenção deve ser feita através de técnicas que permitam o desbloqueio físico da memória que provoca sofrimento para consequentemente haver um desbloqueio emocional.
Em suma, o importante é que cada um de nós consiga entender quais as suas experiências passadas mais impactantes e entender o impactoque podem ter tido e ainda têm no momento atual.
O processo de cura de Traumas e traumas passa sempre por uma tomada de consciência e consequentemente pela mudança de padrão.
Arrisque-se a conhecer e cuidar dos seus traumas.
Boa semana